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Brasil: o país da impunidade.

Definitivamente, o Brasil é o país da impunidade. Que novidade! Descobriu-se o Brasil! É verdade, não há nada de novo nisso. Mas ao ler os jornais, um dia depois que o ex-goleiro Bruno foi condenado, a sensação foi de extrema decepção e vergonha. Brasileiro, eu? Não. Sou turista, estou aqui passeando. Na quinta o goleiro é condenado a 22 anos de cadeia. Na sexta, os jornais trazem em suas capas a manchete: “Bruno ficará preso no máximo quatro anos”. Esse é nosso Brasil, o eterno país do futuro e, desde que Cabral nos descobriu, o país que está deitado eternamente em berço esplêndido. Vergonha! A máxima “Cadeia é para pobre” é, sem dúvida, o lema e tema dessa terra vergonhosa. Um jogador, que se acha melhor que os outros seres humanos porque defende um time popular, resolve dar ordens a comparsas para matar uma garota. Os  mesmos obedecem à risca, porque foram bem pagos para isso, e agora o ex-goleiro ficará três ou quatro anos na cadeia, no máximo. O país da piada pronta:...
Obrigado, Zico! A primeira lembrança que tenho vem da tal cozinha de fora. É porque na casa da vovó tinham duas cozinhas. A cozinha que mais tenho recordação é essa, a de fora. Porta surrada, meio azul desbotado, fogão a lenha envernizado de vermelho e manchado de fogo, uma mesa com um plástico grosso, uma fruteira e frutas de mentira, um armário de verdade e velho e uma janela pequena que insistia em não abrir. E lá em cima, no canto, longe do alcance dos netos, que eram muitos, o rádio.  Um caixote enorme, como botões grandes e vozes grossas, ásperas e emocionantes. Tudo isso sob as telhas de amianto escuras por causa da fumaça. Quando vovô ligava o tal rádio, do qual confesso que um dia tive medo, tinha abraço, tinha beijo, tinha riso, tinha choro, tinha vida. Foi ali, naqueles pequenos metros quadrados, que eu senti e descobri o significado de emoção.  E mesmo que a gente quisesse sair, e a gente não queria, não tinha como: Vovô não deixava. E mesmo que eu passasse...
A vida perde o sentido Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013, um canal de televisão tem a brilhante de ideia de mostrar, poucos minutos antes do duelo tricolor no Engenhão, quatro ou seis crianças de cinco a oito anos brincando com uma bola nas dependências do estádio. Quatro ou seis garotos com camisas de times adversários que sorriam chutando uma bola azul que teimava quicar no chão. Mais brilhante ainda foram as sábias palavras dos apresentadores: “Este é um momento para ficar na história. Isso é o poder do futebol”. Uma quarta que começara com Champions League e se findaria com um duelo de gala na Taça Libertadores. O futebol faz sentido, a vida faz sentido. “Se findaria”. Aquela quarta não acabou e nunca vai acabar. Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013, em um outro canal de tv, uma criança não corre, mas é socorrida. Não tem os mesmos cinco ou oito anos, mas adentra a sonhada adolescência. Não é tricolor, nem do sul, nem do rio, é San, de San José, boliviano, que há pouco ...