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Um gigante adormecido!

No passeio dominical, entre as estruturas de um gigante adormecido, os olhos correm pelas ferragens corroídas e o silêncio absurdo vagueia entre as quadras e campos inabitáveis. Naquele momento, faz-se o silêncio que deveria estar habitado por gritos de gols. Calam-se as competições e diversões familiares, vai embora a imagem do domingo no parque de madeira que o tempo e a incompetência de administradores deram conta de levar. O mute ou mudo impera em um reino onde o grito de vencer deveria estar no lugar mais alto do pódio. Que pódio? Sem disputa não há vencedores e muito menos pódio. Pode parecer exagero, mas as lágrimas ganham de goleada da alegria em pleno gigante esportivo da nossa cidade onde a cortina da fumaça de uma droga que mata em pouco tempo sobe das quadras de baixo. Aqui é crack versus craque, e o que termina em k e mata, está vencendo. Socorro! O silêncio e o descaso são os habitantes de carteirinha do centro esportivo, do chamado clube do povo. Que povo? O povo ...

Sim, eles podem!

A América é de um tal Galo, de umas Minas Gerais, lá no Brasil de Cabral, perto da terra do Papa. A América, aquela desejada e libertadora, é de um bichano de crista alta, que carrega um santo entre as traves, que se concretiza com uma rocha na lateral e duas torres no miolo. De um Galo de volantes grandes e pequenos, experientes e novos. Um alvinegro de meias, de sorrisos “desdentados” e cabelos ou penas ao vento. Galo de atacantes com alegria nas pernas, matadores, fortes e vingadores. Uma ave que carrega e congrega um místico pensador e supersticioso fora das quatro linhas. Um Clube, Mineiro, Atlético, enfim, um Galo ou Galão de uma massa de alma preta e branca agora mais do que lavada, esfregada, batida, torcida e que vai para o varal, onde seus seguidores, não torcedores, seguirão contra tudo, todos e o vento. É simples assim: se algum dia lhe perguntarem, respondam: esse foi o campeão da Libertadores 2013.  Esse tal de Galo, de um povo sofredor e surrado, que ...

Julho, de novo

É julho de novo. É frio novamente e corta, como já escrevi em outras ocasiões, mas fica quente com o calor do nosso povo tão receptivo, simpático e convidativo. É interior, a quilometros da capital, é terra fria de corações e braços abertos para quem quiser chegar. Já é tradição: o povo vem, as pessoas chegam de alguns lugares desconhecidos e se tornam conhecidas em um simples e pequeno mês. Quem não traz agasalhos suficientes, sente o calor de um povo que não empresta só o vestuário, mas empresta a alma, o coração. Povo que recebe em casa, busca na rodoviária, leva nos cantos e encantos das Praças que são palcos das festividades julinas e que tem como fundo musical a áurea das vozes de todo o Brasil.  Vozes, nossas e deles, sussurradas no inverno por um Festival da Canção qualquer que traz e leva talentos sonhadores.  Quem vem, volta. Volta no julho seguinte porque sabe que o seu lugar estará reservado no cantinho da Praça ou no quarto do amigo até então desco...

Salve! Salve!

E eis que o Gigante da pobre natureza se desperta e se levanta do tal berço esplêndido. Talvez seja tarde, é verdade, mas o florão da América acorda aos gritos de cidadãos, que em outras mil palavras, cansaram. O que vale a partir de agora não são mais os três pontos ou a classificação para a próxima fase. O que está em jogo, e se é que pode ser chamado de jogo, é a reputação de um povo que aguarda há 513 anos uma mudança. Chega de gols e muito menos de bolas na trave. O que vale é dar uma dentro, acertar em cheia, mostrar, às diferentes siglas jornalísticas do mundo, quem somos e para que viemos. Além do surfista de trem e das bundas e bolas brasileiras, é hora de ser capa do New York Times. Pelas ruas, o povo heroico, do fálido brado retumbante, desce e sobe aos berros e cantos o cessar do penhor e da desigualdade crônica em que vivem. Chega! Basta! O que estava na garganta passa pelo braço forte, pelo seio, pelo peito e pela própria morte e sai pela boca em forma de ó liber...

Mulher versus futebol

Começou! A bola rolando novamente e pra valer - não como naqueles estaduais medíocres. O corpo novamente estirado na cama, a rebarba do almoço ainda sobre o fogão e a ressaca do sábado instaurada no céu da boca. É domingo, daqueles em que dois jogos não são o suficiente para amenizar a ausência do futebol brasileiro e seus grandes duelos. Está de volta o tal do Brasileirão: amante dos marmanjos e horror da mulherada que prefere a Praça,  a pipoca ou o sorvete, e, um filme a dois. Apita o juiz, empurra a vasilha de sobremesa sobre o criado e seu ar mal criado também entra em campo de camisa, short e meião. De agora em diante, lá se vão ininterruptos oito meses de emoção e frustrações amorosas aos domingos, talvez sábados e quartas à noite. Haja flores e beijos às segundas. O eterno confronto futebol versus mulher! A troca de olhares, a troca de canal e até a troca das mulheres. Definitivamente eles não nasceram um para o outro. Este triângulo amoroso não dá lig...

Eu e Ela!

Ela tirou a bandeira devagar, colocou o suporte que assegurava sobre a caixa d´água e não embolou, enrolou-a carinhosamente, sorriu discreta e acariciou-a como se acaricia os cabelos de uma pessoa amada. Mas ela ama a bandeira. O toque sereno e suave sobre o verde e amarelo demonstrava o amor. Ela tirou como quem não vai voltar para colocar. A sacola recebeu o manto, fez barulho como faz e abraçou os braços da senhora que talvez acreditasse que aquela poderia ter sido sua última Copa do Mundo. Me fiz de cego olhando fixamente, ela me viu e eu não quis vê-la. Desci as escadas com os tênis que fui buscar na laje e fiquei pensando quantas Copas vou suportar. Dói esperar, dói cada vez mais subir esses degraus, dói ver o que vi, dói imaginar que um dia também posso recolher a bandeira da laje pela última vez. Quantas Copas vou suportar? Já se foram algumas, bem menos que a senhora vizinha. Como sei? Seu físico entregava. Para subir na laje com toda aquela dificuldade algumas Copa...

Quem era?

Outro dia o telefone tocou, já era tarde, na telinha da TV eu mal conseguia enxergar o belo rosto da apresentadora do jornal da globo. É verdade! Já era para eu estar na cama, com direito a travesseiro e tudo mais, mas as piadas sem graça da turma do Casseta & Planeta me fizeram cochilar ali mesmo, naquele sofá duro e desconfortável. Era um amigo, um antigo amigo, daqueles que a gente esquece até o nome, e que eu já não via há anos, a voz grossa e o som de um sorriso contido na garganta pela felicidade de ter me encontrado em casa, entregava-me quem era, aliás, eu sabia quem era, mas o problema era o nome, ainda era uma incógnita. A cada palavra, a cada entonação eu desenhava na imaginação o rosto perfeito do amigo que estava do outro lado da linha. Mas o nome, bom!  O nome não vinha. Ao longo da conversa eu recordava as nossas baladas, lembrava da sua família, do dia em que em que roubamos frutas juntos, do tempo em que nosso time ganhava quase todas as competições, enfim, ...