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Jornalista. Apaixonado pela vida. Casado com a Lu e pai do Gabriel.

domingo, 17 de maio de 2020

Que saudade do seu abraço


Se existia alguma dúvida, não há mais: nós, meros seres humanos, não fomos feitos para viver individualmente. O nosso disco da vida tem que tocar a faixa “coletividade”, se possível, no modo repetitivo, do inglês repeat. E olha que não precisamos nem de 90 dias para comprovar isso. Pouco menos e já aprendemos que nascemos, em especial nós brasileiros, para tocar, encostar, apertar, apalpar e abraçar. Abraçar! Isso, abraçar, em forma de c, com os braços e o coração aberto. Forte, instintivo, natural, genuíno, grande, seja qual for a modalidade do abraço, definitivamente não dá para viver sem. Esta é a comprovação que a humanidade aguardava.
Também te bateu aquela saudade? Aquela da mesa de casa, do almoço, do escritório ou de bar mesmo, aquela procedida de um gole, um olhar e um efusivo abraço sobre a melodia do “gosto de você pra caralho”? Te bateu? Bateu aí? Aquele de manhã, com cheiro do amor de ontem, que sobra sussurro no ouvido? Aquele depois da escola, com cheiro de bagunça no recreio? Aquele da igreja, de paz, de fé, de cristo? De consolo? De vitória? De derrota? Seja qual for a sua saudade, que saudade dos braços em torno do corpo, como forma de abraço.
É como se tivessem tirado do soldado uma das suas armas durante a guerra. Vá e lute! Mas sem o escudo, sem a sua principal arma. O abraço nos foi tirado quando mais precisávamos dele, agora, em meio caos da luta contra o invisível! Me desculpem as organizações, as siglas, mas esse negócio de mantenha a distância, nos enfraquece mais, nos deixa mais vulneráveis. Estamos na guerra, mas estamos sem a maior arma, nosso abraço, tão fraterno, tão poderoso e vital. Isso é um fato, mas…
Mas, e sempre tem um mas, o mundo e a vida são regidos de normas, leis e orientações. Portanto, mesmo frágeis, fracos, desarmados, teremos que guerrear sem braços, abraços, distantes, mascarados, em casa, longes e por fim, como só o que resta, esperançosos, sem abraços.
Não é um jogo. É a vida. Não dá pra burlar, não cabe aquele jeitinho. Não sejamos inconsequentes como líderes por acaso, nem maldosos e cegos como eles, sigamos o trilho, da ordem, da norma, da educação, tão distante desde sempre. Faremos o seguinte: guardaremos a maior das armas para o final, para o desfecho, para a vitória, para a glória, no cume, que será no bar, na casa, no escritório, na rua, ou em qualquer outro lugar onde se desejar triunfar. E mesmo sem data, sem previsão, não tenho dúvida, virá. Vai passar!
E lá, no alto desejado e esperado, iremos, enfim, conjugar o abraçar. Forte! Muito forte! Na hora certa, vamos eliminar qualquer mal, qualquer ódio, qualquer vírus que queira nos separar. Qualquer um: seja o que está no ar, seja o que está na terra! É só aguardar… a vitória virá, VAI PASSAR!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O Cruzeiro caiu em 2013



Mais precisamente no dia 24 de novembro de 2013, quando a superintendência da Polícia Federal do Espírito Santo apreendeu, durante operação, 450 kg de cocaína em um helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa do deputado estadual por Minas Gerais Gustavo Perrella (Solidariedade), filho do senador e na época ex-presidente do Cruzeiro Zezé Perrella (PDT-MG), este mesmo sujeito, que seis anos depois, foi “convocado” para evitar a queda do time celeste.

Ou seja, a queda deste dia 8 de dezembro, que ficará marcada na história do Cruzeiro, começou fora do campo, quando a solução se deu por um sujeito envolvido em falcatruas e corrupção.

Erro grave e que se “agravou” quando vieram à tona, através dos brilhantes repórteres Gabriela Moreira e Rodrigo Capelo, no programa Fantástico da TV Globo, uma matéria completa mostrando a situação financeira e as movimentações ilegais fora de campo.

Naquele domingo à noite a repórter anunciou ao Brasil e ao mundo o que iria acontecer no dia 8 de dezembro de 2019, ou seja, a queda para a Série B. Todo time grande, como é o Cruzeiro, começa a cair fora do gramado, onde depois, diante das aberrações, os efeitos são expostos. Foi assim com Fluminense, Vasco e Botafogo, por exemplo. 

Que fique claro; time grande cai sim! E sempre vai cair, mas antes de caírem dentro de campo, perdendo jogos, com péssimas atuações, começa a cair fora dele, despencando aos poucos, perdendo o controle nas contas e finanças e principalmente se envolvendo em corrupção.

E mais, enquanto o herói for um sujeito que está ligado e envolvido com corrupção e tendo familiares investigados pela Policial Federal, a queda continuará... C, D e por ai vai. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Ele vibra, ele é fibra



O ano é 2001. Em meio a mais uma turbulência e milhares de verbos e verbetes execrando o Flamengo, eis que surge: “Eles fingem que pagam e eu finjo que jogo", assinado Vampeta um ex-jogador de futebol se referindo a um dos clubes mais poderosos do futebol mundial. Humilhado! 

Não há nenhuma confirmação, mas um ano depois, uma Bandeira é erguida na gávea, a Bandeira de um tal Eduardo, um economista, bancário, homem do dinheiro, ou acostumado a lidar com ele. Tudo o que o Flamengo precisava. Iluminado!

E veio o choque, choque financeiro. Eliminações precoces, goleadas humilhantes, ameaças de rebaixamento e inúmeros resultados abaixo da expectativa que precisavam e foram digeridos com sobriedade. Nenhuma loucura, pés no chão, chão de terra em um espaço projetado por um “pofexor” flamenguista. Containers improvisados no início da construção de um Ninho. Quem não se lembra do carrinho de mão servindo de maca? E se por um lado os números, através da Bandeira, procuravam equilíbrio, por outro, os resultados vexatórios começavam a exalar um cheiro que se tornaria insuportável. Humilhado, execrado, de novo! 

Mas é preciso continuar lutando, acreditando... Ninguém sabe ao certo o que as ondas vão trazer na manhã seguinte. A torcida é pelo vento, para que continue balançando uma Bandeira que merece respeito e não pode e nem deve ser jogada ao léu. Na contramão da realidade, enquanto algumas Palmeiras se erguem e Cruzeiros desbravam mares e títulos, o cheiro fica mais forte, insuportável. Os cofres crescem e a Muralha desaba em dor em decisões de pênaltis. O torcedor não entende e, em um gesto de dor, abaixa a Bandeira: “Não queremos dinheiro, queremos títulos”. Momento em que o império se ergue, as riquezas se acumulam, mas a bola, por dinheiro nenhum deste mundo, insiste em não entrar. Confusão no aeroporto, café nos torcedores, acabou o amor. E pior: tragédia, dor, fatalidade, o império rubro se derrama em vermelho, mesma cor dos nossos rostos de vergonha. O fim ou então só Jesus na causa! E não somente só, com Deus, um João, ambos portugueses, que mais uma vez vão descobrir, em meio aos remos e remadas do passado, uma história que começa a ser reerguida. 

Chegam laterais e dignidade, a Espanha empresta, a Itália oferece, o Velho Mundo está chamando de volta o campeão. Uma nova muralha é reerguida. Pensadores esquecem os cruzeiros e se voltam para o real. Gênios chegam e se juntam ao arco e à flecha. Jesus só falta erguer ou reerguer o dezembro daquele 81 histórico. Mas não é dezembro, é novembro, doce novembro: o hepta chega com recordes, artilheiros, defesas e números jamais vistos. Já a América se encanta e no encanto fatal, em dois minutos,  a glória, como o hepta também chega. Chega de novo, em forma de bi. A Bandeira é reerguida, os vermelhos dos papeis ganham a companhia de um azul que de tão forte se transforma em preto e o rubro-negro renasce, se encanta, se enche de orgulho como os cofres e, se não o bastante, grita extasiado a todos os pulmões que agora quer o Mundo de novo. 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Trazendo o Hepta




Vítima do Flamengo em 2019, Renato Gaúcho pode dar o hepta ao time carioca

Ironia do destino, mas o hepta-campeonato do Flamengo pode vir domingo, através do Grêmio, maior algoz neste ano. Senão bastassem os confrontos e polêmicas envolvendo Renato Gaúcho x Jorge Jesus, o maior embate entre técnicos dos últimos meses, o título do Flamengo, o sétimo da história, pode vir pelas mãos de Renato, treinador do Grêmio. Isso porque se o tricolor gaúcho arrancar um empate no próximo domingo na Arena Palmeiras às 18h contra o time alviverde, o Flamengo levantará o troféu mesmo sem jogar pela trigésima quarta rodada da competição. Por causa da final da Libertadores da América, sábado (23), contra o River Plate, a equipe rubro-negra teve o jogo antecipado contra o Vasco e empatou em 4x4 na última quarta-feira (14).

A rivalidade entre as duas equipes, que inclusive já decidiram título do Campeonato Brasileiro, em 1982 o Flamengo venceu o Grêmio e conquistou o bi-campeonato, aumentou neste ano de 2019. Foram quatro confrontos e o Flamengo venceu três e empatou um. Foram dois pela Libertadores (1x1 na Arena do Grêmio e 5x0 no Maracanã) e dois pelo Campeonato Brasileiro (3x1 no Maracanã e 0x1 na Arena). Os duelos trouxeram à tona declarações de ambas as partes e o clima entre Brasil x Portugal, países dos treinadores, ficou quente. “O Grêmio joga o melhor futebol do Brasil”, foi um das declarações de Renato, que depois da última derrota em casa voltou atrás e declarou que o Flamengo tem o melhor time do pais.

Portanto, por força do destino, o próprio Renato Gaúcho, que foi campeão Brasileiro em 1987 jogando pelo Flamengo e eleito naquele ano o melhor jogador do campeonato, pode voltar a ser protagonista/coadjuvante de mais um título do Flamengo, basta um empate do time de Renato contra o Palmeiras.

Caso o alviverde vença a partida contra o Grêmio a diferença, que hoje é de 13 pontos, voltaria para 10 e a decisão ficaria para a trigésima quinta rodada contra o Ceará no Maracanã, onde o independente do resultado do Porco, que encara o Fluminense na rodada, o Flamengo precisaria vencer o time cearense e levantar o troféu pela sétima vez; 1980, 1982, 1983, 1987, 1992 e 2009.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Saudade da Copa!

Vai ter Copa? Foi-se a Copa! Rápido assim. Aliás, tão rápido quanto o ataque alemão, como os gols alemães no fatídico Mineirazo, como Robben, o atacante Holandês, como o dinheiro investido nela, como os protestos que esvaíram do nada, como a participação inglesa. Foi-se a Copa, como a Zurra e a despedida de Pirlo, como os lances de um português que insistia em arrumar as mechas no telão, como as touradas espanholas em solo tupiniquim. Foi se a Copa, a nossa Copa, a Copa do Mundo no Brasil.
Foi-se a Copa e ficou a simpatia alemã. Foi-se a ideia de que eram frios e sérios. Ficou um consolo a Messi como melhor. Ficou o questionamento, o recorde de Klose, as defesas dos goleiros, os gols na Bahia de todos os santos. Como legado, ainda ficou a marca de um esquema de ingressos que foi desmantelado aqui, no país que infelizmente ainda encabeça o ranking da corrupção. Ficou o exemplo da Argélia, que doou sua conquista financeira aos necessitados. Ficou na memória uma Costa, não Rica, mas Milionária. Um Estados Unidos que está aprendendo. Ficaram as vaias a uma Presidente, inúmeros elefantes brancos, o choro de uns meninos que ainda precisam aprender, a arrogância de um técnico que tem no curriculum um título maravilhoso, mas não admite que errou, ou erramos, feio.  Foi-se a ideia de que só raça ganha jogo, mas que é preciso jogar bola. Ficaram as marcas da mordida uruguaia, os beijos nas arquibancadas, a invasão argentina, colombiana e chilena. Foram as nossas manhãs, tardes e noites em frente à televisão. Foi-se a emoção, as prorrogações, os pênaltis. Ficou o orgulho. Foi-se o sonho do hexa, ficou o pesadelo do superfaturamento. Foi-se a Copa, a Copa das Copas e ficou a saudade!

Sessenta e quatro anos depois, o Mundo reconheceu o Brasil: um país colossal em problemas sim, mas um país às vezes pobre, às vezes triste, às vezes sujo. O Mundo viu e descobriu o que se comentava nos bastidores: povo hospitaleiro, festivo, alegre. Não fizemos feio. Erramos e acertamos. Aprendemos e ensinamos. Mundo, essa foi a Copa, esse é o nosso país, nosso Brasil. Sejam bem vindos ao país do futebol, mas também das belezas naturais, do carisma, da emoção, de um povo batalhador, enfim, um país que não é só uma seleção, mas um país que tem gente verde, amarela, azul, branca, parda, negra, índios, um Brasil, que, como o nosso Cristo, está sempre de braços abertos esperando o Mundo.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Onde estão nossos domingos?


O barulho da fábrica, que não para nunca, o cheiro do café, o galo cantando no terreiro, a lenha no fogão e os passos do vovô no corredor. Não era um dia comum, muito menos azul na folhinha, era vermelho no calendário, era domingo.
Hora de acordar, enfrentar o chão da Beira da Linha com o sapato novo, atravessar a ponte, jogar pedras no rio, limpar o sapato e ir rezar, de joelhos, de mãos dadas, sob o olhar atento do vovô. Amém, a gente saia correndo e ficava “lutando” na pracinha enquanto “sô Tião” comprava o pão na quintada do sô Zizinho.
Ele parava no jogo de “Maia” e a gente corria para casa, corria para ver ele correndo. A “senna” se repetia quase todos os domingos. E que domingos! Acabava a corrida, que a gente sempre ganhava, e a tampa da panela do feijão se transformava em volante, a poltrona da sala o banco do carro e a irmã mais nova era a responsável pela bandeirada prosseguida pelo puxão de orelha daquela tia ranzinza. 
A gente então pulava para fora da poltrona, saía da casa e adentrava o campinho. A bola chegava, a turma dividia os times, mas a gente não queria ser Romário, nem Bebeto, mesmo dentro do campo. A gente queria ser Senna, Ayrton Senna da Silva. A gente queria a bola, mas  a gente queria acelerar atrás dela, fazer gols e sair dirigindo um carro de Fórmula 1. O domingo era uma “senna”, todo o domingo, todos os domingos. 
Saíamos do campo, lavávamos as mãos, servia-se o almoço, lembrava daquele frango, que estava gritando de amanhã e que agora estava no prato, e imitava um carro com o garfo até chegar à boca. Nada de aviãozinho, era carro mesmo, uma “senna”. Comia o doce, acelerava da mãe que queria os dentes escovados e caía no sofá. Brincava, narrava corridas e tomava banho depois de uns tapas e lembrava o Senna correndo na chuva. 
Deitava todo mundo na sala, o cheiro do café retornava e o Fantástico, além de ver aquela família reunida na casa da vovó, era ver o Senna de novo. O cara narrava, a gente sorria e o vovô, que não tinha visto, vibrava, era como gol. Eram os nossos domingos, que já nem sabemos onde estão. 
E se finalizavam assim: passavam os gols, a gente escondia debaixo das cobertas com medo da zebrinha e os braços calorosos nos carregavam para a cama. Ah… onde estão aqueles domingos?

Era uma vez o gol!


Vai embora o gol mais bonito do Brasil. Na verdade, um gol de placa que não deve ser afixada em nenhum estádio, seja no Brasil ou no mundo, mas no céu, entre nuvens, traves e redes. Não aquele gol desenhado pelas pernas tortas de um negro ou por um camisa 10 mirabolante em uma cobrança de falta. Dá adeus o mais emocionante gol da televisão brasileira. Não o de bicicleta, do jogador do seu time, de letra ou de bico mesmo. Parte, como parte nossas tardes de domingo, o gol que vinha da alma, atravessava a garganta e chegava como música para os nossos ouvidos. Longo, curto, triste, alegre, mas sempre gol, que saía do coração, o mesmo que deixou de bater.  
Vai o homem e fica um mito. Ou parte um mito e fica o homem? Vai junto a emoção e 11, onze, 11 Copas do Mundo mais um curriculum invejável. E de um tempo em que não existia TV, nem cara fechada. Do tempo em que se vê hoje nas inúmeras operadoras o que ele fazia na televisão aberta, com seu sorriso aberto. Por isso e por muitos outros motivos, não vai apenas o narrador, o vendedor de emoções, vai o empreendedor, o empresário, o precursor, vai a voz da TV no Brasil. 
É como se mais um campeonato brasileiro, entre tantos outros, começasse no mute, no mudo. Sem alegria, sem gol, sem gols. Como se o aparelho, seja de 14 ou 50 polegadas, estivesse com defeito, falho. Não sai o gol, não sai a emoção daquele gigante pulmão. No domingo em que os caminhos do paraíso chamaram  e clamaram por um “Valle”, o silêncio se fez presente. É como se os deuses do futebol protestassem a perda, a ida. Como se justo naquele jogo, o qual ele iria cobrir, como fizera em milhares, não fosse permitido o gol naquela tarde. E não, não aconteceu. Um zero a zero naquele fatídico domingo era o mínimo de respeito que o futebol poderia prestar ao Senhor da Narração. E assim foi, no dia em que enterraram a voz do esporte brasileiro, não houve gritos naquele jogo. Aliás, nos dois jogos que a TV Bandeirantes transmitiu, Flamengo x Goiás e Atlético x Corinthians, a rede não balançou, o grito não saiu, o silêncio se fez presente e nosso domingo, como muitos outros que se aproximam, ficou e ficarão mais pobres, mais calados, mais tristes.
Sobe o ser capaz de colocar emoção em um jogo de bilhar, empossar rainhas, glorificar pedreiros, acelerar corações e carros, enterrar dificuldades e bloquear e proliferar um esporte que chegaria ser seu sobrenome. Ganham lá em cima e perdemos aqui embaixo. Se despede Luciano do Valle e permanece o canal do esporte. 

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Que saudade do seu abraço

Se existia alguma dúvida, não há mais: nós, meros seres humanos, não fomos feitos para viver individualmente. O nosso disco da vida tem...